Diferenças no salário superiores a 170 euros

SANDRA SOUSA SANTOS-ARQUIVO DN (imagem)

 

Porque cresce o sector do trabalho temporário a um ritmo superior a 10% ao ano, com a evolução da economia a não ultrapassar a casa dos 2%? A resposta a esta pergunta só pode estar na crescente subcontratação de áreas de negócio por parte das empresas, às agências de trabalho temporário.

Em finais de 2006, estas empresas tinham mais de cem mil trabalhadores colocados em organizações clientes, para além dos 1500 trabalhadores ao seu serviço, afirmando-se como uma dinâmica peça do mercado, em termos de criação de emprego.

E porque recorrem cada vez mais empresas às agências de trabalho temporário? É que a flexibilidade de gestão é apontada pelos gestores como uma peça fundamental e essa é apenas uma das peças no tabuleiro do jogo. A outra chama-se poupança.

Uma breve comparação entre os salários praticados por empresas abrangidas por convenções colectivas de trabalho, como a PT, e por algumas das maiores empresas de prestação de serviços especializadas em call centers é elucidativa. De acordo com dados fornecidos ao DN pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, a tabela praticada pela PT para um operador de atendimento telefónico ao fim de um ano de trabalho era já em 2005 superior em 166 euros à praticada hoje pela Vedior, para a mesma função e antiguidade. Ou seja, num caso 613 euros, noutro 447 euros. A disparidade cresce à medida da antiguidade, uma vez que, por definição, o trabalho temporário, não remunera a antiguidade, mesmo que mantenha, por vezes, trabalhadores ao longo de vários anos, no mesmo posto, rescindindo e voltando a contratar através de subsidiárias.

Há ainda a considerar um subsídio de refeição de dez euros contra outro de cinco e uma diuturnidade de 28 euros por cada cinco anos de antiguidade, inexistente noutras empresas.

Enquanto a operadora móvel do Grupo PT, TMN, tem actualmente o seu serviço de atendimento em regime de subcontratação, os CTT preparam-se também, segundo aquele sindicato, para passar a área de tratamento da correspondência em- presarial para uma empresa de prestação de serviços, a Mailtec, participada pela própria CTT.

A este propósito, aquele sindicato alerta em comunicado para os riscos de os trabalhadores da empresa poderem vir a ficar de fora do acordo colectivo de trabalho, o que significaria salários inferiores e condições menos favoráveis de progressão na carreira. Uma tendência.

 

in:Diário de Notícias/economia/9jul07

publicado por AEDA às 09:11 link do post | favorito