Crédito à habitação caiu 10% até Março

PAULA CORDEIRO
PAULO SPRANGER-ARQUIVO DN (imagem)

 

A procura de crédito para compra de casa junto dos bancos portugueses caiu acentuadamente no primeiro trimestre de 2007. O número de contratos celebrados até Março último desceu 12,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto o montante global concedido diminuiu quase 10% (9,89%) também em variação homóloga, de acordo com os dados oficiais recentemente publicados pela Direcção-Geral do Tesouro (DGT) e relativos só a Portugal continental.

Com as taxas de juro a subirem e os preços das casas a manterem-se, são cada vez menos os portugueses que decidem contrair um empréstimo para comprar casa. Esta tendência tinha sido já evidenciada pelos dados do ano passado, mas acentuou-se fortemente nos primeiros três meses de 2007. Neste período, foram celebrados 33 879 contratos, aos quais foi concedido um montante global de 3,2 milhões de euros.

No primeiro trimestre de 2006, os contratos celebrados tinham ascendido a 38 568, para um total de 3,5 milhões de crédito concedido. De registar ainda que em Março do ano passado tinha havido um aumento de 7,5% nos contratos celebrados face ao primeiro trimestre de 2005 e uma subida de 13,3% nos montantes concedidos.

Outra realidade que se acentuou no primeiro trimestre de 2007 foi o aumento do valor médio de cada empréstimo: o valor médio trimestral foi de 94,7 mil euros, contra 92,3 mil euros em Março do ano passado. De assinalar que o valor médio de cada contrato atingiu o valor máximo em Janeiro último, de 95,5 mil euros.

Ou seja, os portugueses que recorrem ao crédito para comprar casa endividam-se em valores cada vez mais elevados. Um resultado das inúmeras soluções de crédito actualmente disponibilizadas pela banca, que permitem pagar menos nos primeiros anos de vida do empréstimo e também uma consequência de uma subida dos preços das casas, que apesar da crise económica mantêm-se em níveis elevados. Os dados da Direcção-Geral do Tesouro revelam igualmente que nos Açores a queda no primeiro trimestre foi mais acentuada do que os dados registados no Continente: menos 13,8% nos montantes concedidos e menos 14,1% no número de contratos, até Março.

Na Madeira verificou-se uma subida de 2% no montante atribuído no primeiro trimestre e uma redução de 0,8% nos contratos celebrados.

 

in: Diário de Notícias/economia/9jul07

publicado por AEDA às 09:07 link do post | favorito