Fuga ao fisco

Trinta e três mil milhões de euros por ano não são tributados

Vinte e cinco mil senhorios com dívidas ao fisco vão ver as rendas penhoradas. É a última novidade de um conjunto de medidas do Governo para combater a fuga aos impostos. Se todos pagassem o que está na lei, o Estado deixava de ter défice orçamental. Todos os anos escapam à tributação 33 mil milhões de euros.

O ministro das Finanças admite que o aumento dos impostos tem um lado perverso: faz disparar a fraude e a evasão fiscal. Foi o que aconteceu com o aumento do IVA de 19 para 21 por cento.

Todos os anos, fogem à tributação 33 mil e 500 milhões de euros. O que representa 11 mil milhões de euros a menos nos cofres do Estado. Se o fisco conseguisse cobrar este dinheiro, o ministro das Finanças tinha o problema do défice orçamental resolvido e ainda lhe sobrava.

A chamada economia paralela em Portugal representa 22 por cento da riqueza que o país produz. Números que dão que pensar.

Por isso, Teixeira do Santos anunciou para este ano novas medidas: mais inspectores fiscais, mais colaboração entre as várias autoridades, troca de informações com outros países e mais controlo de facturas falsas. E ainda mais recurso ao levantamento do sigilo bancário.

Só em 2006, a Direcção Geral de Impostos triplicou o número de levantamentos do sigilo. O recurso a esta arma do fisco está em discussão na Assembleia da República. A ideia é tornar o levantamento do sigilo bancário mais fácil para que mais contribuintes faltosos possam ser apanhados.

A ideia não reúne consenso entre os especialistas.

Programa informático ajuda a fugir ao fisco

A arte de fugir ao fisco está a aperfeiçoar-se cada vez mais. Em restaurantes e cafés, o fisco e a Polícia Judiciária já dectectaram o uso de um programa informático para fugir ao pagamento de impostos.

A fraude informática dos restaurantes atingiu mais de 50 milhões de euros de vendas não declaradas em 400 estabelecimentos de restauração em todo o país.

O esquema detectado tinha origem em duas empresas da Póvoa de Varzim e permitia também evasão fiscal de IRC. Com os programas informáticos eram omitidos os valores reais da facturação. Apenas eram declarados entre dez e 70 por cento.

Quando foram detectadas estas fraudes, a Associação de Restauração garantiu que acompanha o fisco no combate à fraude.

Ao que tudo indica, o programa informático de facturação paralela já estará a ser utilizado também em outros sectores económicos e, além disso, a portuguesa responsável já o terá exportado para outros países, com as mesmas funcionalidades.

Fuga no sector imobiliário

Também no sector imobiliário muitos os portugueses continuam a fugir ao fisco. Por hábito, os preços declarados nas transacções de imóveis estão muito abaixo dos valores reais.

Apesar do empenho do actual Governo socialista na luta contra a fuga aos impostos, o fisco continua a suspeitar que o sector imobiliário está a praticar fraudes e evasões fiscais de forma sistemática.

As casas são vendidas a um preço superior ao que está na escritura. Quem vende, paga menos IRS e IRC e quem compra paga menos Imposto Sobre Transmissão de Imóveis, a antiga Sisa. A Direcção Geral de Contribuições e Impostos considera mesmo o sector imobiliário como sendo de risco na fuga aos impostos.

Pedir facturas

O combate à evasão fiscal está também nas mãos dos contribuintes. Mas por muitas e variadas razões, nem toda a gente pede factura. A lei e até a consciência dizem que devemos pedir factura, mas, muitas vezes, a conta a pagar fala mais alto.

in: SIC On Line

publicado por AEDA às 00:52 link do post | favorito