Cavaco Silva eleito à 1.ª volta

RTP
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Cavaco Silva no discurso de vitória no CCB

Cavaco Silva venceu à primeira volta as eleições presidenciais de domingo, seguido pelo socialista Manuel Alegre, que ultrapassou o candidato apoiado pelo PS, Mário Soares.


Quando estavam apenas duas freguesias por apurar, Cavaco Silva tinha 50,59 por cento dos votos, contra os 20,72 por cento conquistados por Manuel Alegre, os 14,34 de Mário Soares, os 8,59 de Jerónimo de Sousa, os 5,31 de Francisco Louçã e os 0,44 de Garcia Pereira.

Na sua reacção à vitória eleitoral, Cavaco Silva considerou que os portugueses "disseram com clareza quem queriam para Presidente da República" e prometeu que irá cooperar com o Governo e restantes órgãos de soberania.

"De mim, o Governo legítimo de Portugal, como os demais órgãos de soberania poderão esperar um espírito leal, de respeito, de cooperação e entreajuda", afirmou Cavaco Silva, na primeira declaração após ter sido eleito.

"Neste exacto momento se dissolve a maioria que me elegeu.

Quero ser e serei o Presidente de todos os portugueses", disse, numa declaração de cerca de 15 minutos no Centro Cultural de Belém e sem direito a perguntas.

Manuel Alegre, que não era apoiado por qualquer partido político, reconheceu que "o objectivo principal" da sua candidatura não foi atingido por décimas.

Alegre realçou ainda que o movimento cívico que impulsionou a sua candidatura "pode abrir caminhos" para o futuro.

A declaração de Manuel Alegre foi interrompida pelas três estações de televisão para ser emitido o discurso do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, o que mereceu o repúdio da dirigente socialista Helena Roseta.

"É um ataque à liberdade e à democracia, um mau prenúncio para os tempos que aí vêm", considerou Helena Roseta, membro da comissão política da candidatura de Alegre, considerando "uma falta de respeito" o facto de as televisões terem interrompido a transmissão.

"Nunca se viu nada assim em 30 anos de democracia", acrescentou, em declarações à SIC.

Fonte do gabinete do primeiro-ministro esclareceu, entretanto, que quando José Sócrates iniciou a intervenção na sede do PS desconhecia que Manuel Alegre estava naquela altura a fazer a sua declaração sobre os resultados das eleições.

à parte desta polémica, o candidato apoiado pelo PS disse aceitar a derrota com "fair-play" e com sentido do dever cumprido.

"Assumo esta derrota com sentido do dever cumprido, `fair- play` democrático e sentido de responsabilidade. Resta-me felicitar o dr. Cavaco Silva, o que acabo de fazer pelo telefone, e desejar-lhe êxito no exercício da sua alta magistratura", afirmou Mário Soares, numa curta declaração a partir do Hotel Altis, em Lisboa.

Apesar do resultado de Soares, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, rejeitou que o Governo tenha sido avaliado nestas eleições e afastou a hipótese de um congresso antecipado do seu partido.

Sócrates disse ainda que o PS respeita aqueles que apoiaram "outros candidatos", mas elogiou Mário Soares, afirmando-se honrado por ter estado ao lado do candidato apoiado pelo Partido Socialista.

Em nome da estabilidade política, frisou também que estará disponível para contribuir para uma boa relação com a Presidência da República.

Já o líder do PSD, Marques Mendes, disse que se fez história em Portugal ao eleger à primeira volta um candidato oriundo da sua area política.

Mendes atribuiu o mérito da eleição a Cavaco Silva, realçando que foi uma vitória "da credibilidade, da confiança, do rigor, da esperança, da seriedade e do espírito de ambição para Portugal".

Para o líder do CDS-PP, partido que também apoiava Cavaco Silva, esta vitória "é o resultado que mais favorece a estabilidade e a confiança".

Ribeiro e Castro considerou que "os democratas-cristãos podem orgulhar-se do seu contributo para o êxito" da candidatura do ex- primeiro-ministro.

Nas reacções dos candidatos, Jerónimo de Sousa atribuiu a vitória de Cavaco às "hesitações, ambiguidades e falta de empenhamento" do PS na campanha eleitoral.

"As hesitações e ambiguidades que marcaram a posição do PS e a sua notória falta de empenhamento na campanha beneficiaram a vitória de Cavaco Silva", afirmou o secretário-geral do PCP e candidato apoiado pelo partido às presidenciais.

O candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, assumiu as suas responsabilidades no resultado eleitoral e admitiu que é necessário fazer um balanço da derrota da esquerda.

"O conjunto da esquerda foi derrotado e eu faço parte dessa derrota", afirmou, numa declaração a partir da sede da sua candidatura, em Lisboa.

Garcia Pereira, que era apoiado pelo PCTP-MRPP, optou por responsabilizar a abstenção pela vitória de Cavaco Silva.

"Isso significa que a campanha eleitoral não foi mobilizadora nem esclarecedora", declarou o candidato, que foi o primeiro a reagir às projecções avançadas pelas televisões.

Agência LUSA


publicado por AEDA às 01:07 link do post | favorito