Segunda-feira, 09.07.07

Sector emprega 50 mil jovens e está a crescer 8% ao ano

A moda dos call centers chegou a Portugal com uns 20 anos de atraso, face ao mercado norte-americano, mas veio para ficar. E os consultores de recursos humanos asseguram que é das áreas que tem registado as mais elevadas taxas de crescimento e emprego. Factura cerca de 1,2 mil milhões de euros por ano.

Se a liberalização da banca, nos primórdios da década de 90, ditou os primeiros passos do sector em Portugal, acompanhada por empresas como a PT, a liberalização mais recente do sector das telecomunicações veio dar o empurrão definitivo para garantir a este sector taxas de crescimento anuais da ordem dos 8%.

O sector emprega actualmente cerca de 50 mil pessoas, entre os centros de antendimentos formais e menos formais, disse ao DN o presidente da Associação Portuguesa de Contact Centers, formada em 2005. João Cardoso fala em nome de uma associação que representa cerca de 70% da capacidade instalada.

Confirmando que "a maioria dos trabalhadores deste sector opera em regime de trabalho temporário e pertencem a um segmento etário muito jovem ", João Cardoso, não trai a impressão generalizada ao revelar que mais de metade (entre 55% e 60%) dos call centers prestam serviço ao sector das telecomunicações. Seguem-se o sector financeiro, como a banca e as seguradoras, e as chamadas utilities, empresas de serviço de abastecimento de água, luz e gás.

O sector, que já gozava de boa saúde, está agora a beneficiar de um forte impulso, por via da adesão da administração pública ao conceito. O primeiro passo foi dado em Abril, com o arranque do primeiro call center do Ministério da Saúde, destinado a fazer o aconselhamento e encaminhamento dos doentes.

A operacionalização da Linha Saúde 24, foi adjudicada a uma empresa do Grupo Caixa Geral de Depósitos, LCS, Linha de Cuidados de Saúde, SA. Outros exemplos poderão estar a caminho em breve na esfera do Estado.| - C.A.

O QUE É UM 'CALL CENTER'

Os call centers são centros de atendimento de chamadas, destinados a servir os clientes das empresas. Próximo deste conceito, está o "contact center", serviço através dos qual as empresas contactam com os seus clientes ou potenciais clientes para fazerem o chamado marketing directo, como a publicitação de novos produtos, tarifas ou actividades.

Algumas empresas têm os seus próprios centros de atendimento e contacto, outras subcontratam a empresas prestadoras de serviço, especializadas nesta actividade. Há empresas cuja base de relação com o cliente é exclusivamente a linha telefónica.

 

in:Diário de Notícias/economia/9jul07

publicado por AEDA às 09:18 link do post | favorito

Geração 500 euros refém dos 'call centers'

CARLA AGUIAR
MARKUS MOELLENBERG\CORBIS (imagem)

 

O afunilamento do mercado de trabalho, com a economia deprimida e a administração pública a reduzir contratações, está a empurrar cada vez mais jovens para o desemprego ou para o trabalho ocasional.

As escassas oportunidades de emprego - para um segmento em que a taxa de desemprego ronda os 18% - , surgem em regime de trabalho temporário, com contratos renováveis de três meses. Muito em particular, no sector dos call centers, onde mais têm crescido as ofertas de trabalho, empregando já cerca de 50 mil pessoas. Porém, apesar de as licenciaturas serem comuns nos centros de atendimento de chamadas, os salários são baixos e incertos. É a chamada "geração dos 500 euros".

Helena Cardoso, 26 anos, sabe bem o que é viver de telefone e micro ao ouvido, com contrato precário. Licenciada em Comunicação Social e confrontada com a a falta de oportunidades de trabalho interessantes, acabou por ir parar a um call center, que prestava serviço para a TMN, embora o seu contrato de trabalho fosse com uma empresa de trabalho temporário. Apesar dos contratos serem renováveis por três meses, acabou por ficar nesse sistema cinco anos, sempre com vínculo precário. Algo que só é possível graças a um esquema de contorno da lei (que até aqui só permitia a renovação por dois anos), utilizado por algumas empresas de trabalho temporário: através de subsidiárias vão celebrando novos contratos de três meses com os trabalhadores, que nunca chegam a sair do mesmo sítio.

A "geração dos 500 euros" está longe de se circunscrever aos call centers e contact centers, ramificando-se por outros sectores de actividade, como o comércio, hotelaria e restauração, mas raramente consegue escapar ao universo dos contratos a prazo (que abrangem 52% da mão-de-obra até aos 24 anos) e das agências de trabalho temporário que, aos poucos, vão dominando cada vez mais sectores de actividade.

A tendência liberalizadora do mercado é visível nas estatísticas do emprego. Os empregados abrangidos por contratos a termo e em regime de trabalho temporário já ronda os 22%, quando na Zona Euro é de 16%. Há, no entanto, quem aponte que a "rigidez" do legislação do trabalho em Portugal, nomeadamente no que diz respeito aos entraves ao despedimento, é a responsável pela crescente subcontratação de áreas de negócio a empresas de trabalho temporário.

Para as empresas, as vantagens são evidentes. Por um lado concentram-se na área de negócio principal, delegando outras áreas, como os serviços de atendimento, a empresas especializadas; por outro, reduzem os custos e as responsabilidades a longo prazo com pessoal. Porque, como observa Fernando Ambrioso, sindicalista do sector das telecomunicações, "qualquer semelhança entre as tabelas salariais de uma PT ou dos CTT com as praticadas pelas agências de trabalho temporário, para a mesma função, são pura coincidência".

Mesmo assim, e em linha com uma tendência mundial, as empresas não param de procurar mais baixos custos. Por isso, um dos call centers do grupo PT está localizado em Cabo Verde, explicando assim a razão de ser de sotaques variados que se vão escutando nos serviços de atendimento. De igual modo, Portugal também serve de base de call centers de multinacionais do sector automóvel para Espanha e França. E também com um certo sotaque.

 

in:Diário de Notícias/economia/9jul07

publicado por AEDA às 09:14 link do post | favorito

Diferenças no salário superiores a 170 euros

SANDRA SOUSA SANTOS-ARQUIVO DN (imagem)

 

Porque cresce o sector do trabalho temporário a um ritmo superior a 10% ao ano, com a evolução da economia a não ultrapassar a casa dos 2%? A resposta a esta pergunta só pode estar na crescente subcontratação de áreas de negócio por parte das empresas, às agências de trabalho temporário.

Em finais de 2006, estas empresas tinham mais de cem mil trabalhadores colocados em organizações clientes, para além dos 1500 trabalhadores ao seu serviço, afirmando-se como uma dinâmica peça do mercado, em termos de criação de emprego.

E porque recorrem cada vez mais empresas às agências de trabalho temporário? É que a flexibilidade de gestão é apontada pelos gestores como uma peça fundamental e essa é apenas uma das peças no tabuleiro do jogo. A outra chama-se poupança.

Uma breve comparação entre os salários praticados por empresas abrangidas por convenções colectivas de trabalho, como a PT, e por algumas das maiores empresas de prestação de serviços especializadas em call centers é elucidativa. De acordo com dados fornecidos ao DN pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, a tabela praticada pela PT para um operador de atendimento telefónico ao fim de um ano de trabalho era já em 2005 superior em 166 euros à praticada hoje pela Vedior, para a mesma função e antiguidade. Ou seja, num caso 613 euros, noutro 447 euros. A disparidade cresce à medida da antiguidade, uma vez que, por definição, o trabalho temporário, não remunera a antiguidade, mesmo que mantenha, por vezes, trabalhadores ao longo de vários anos, no mesmo posto, rescindindo e voltando a contratar através de subsidiárias.

Há ainda a considerar um subsídio de refeição de dez euros contra outro de cinco e uma diuturnidade de 28 euros por cada cinco anos de antiguidade, inexistente noutras empresas.

Enquanto a operadora móvel do Grupo PT, TMN, tem actualmente o seu serviço de atendimento em regime de subcontratação, os CTT preparam-se também, segundo aquele sindicato, para passar a área de tratamento da correspondência em- presarial para uma empresa de prestação de serviços, a Mailtec, participada pela própria CTT.

A este propósito, aquele sindicato alerta em comunicado para os riscos de os trabalhadores da empresa poderem vir a ficar de fora do acordo colectivo de trabalho, o que significaria salários inferiores e condições menos favoráveis de progressão na carreira. Uma tendência.

 

in:Diário de Notícias/economia/9jul07

publicado por AEDA às 09:11 link do post | favorito

Crédito à habitação caiu 10% até Março

PAULA CORDEIRO
PAULO SPRANGER-ARQUIVO DN (imagem)

 

A procura de crédito para compra de casa junto dos bancos portugueses caiu acentuadamente no primeiro trimestre de 2007. O número de contratos celebrados até Março último desceu 12,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto o montante global concedido diminuiu quase 10% (9,89%) também em variação homóloga, de acordo com os dados oficiais recentemente publicados pela Direcção-Geral do Tesouro (DGT) e relativos só a Portugal continental.

Com as taxas de juro a subirem e os preços das casas a manterem-se, são cada vez menos os portugueses que decidem contrair um empréstimo para comprar casa. Esta tendência tinha sido já evidenciada pelos dados do ano passado, mas acentuou-se fortemente nos primeiros três meses de 2007. Neste período, foram celebrados 33 879 contratos, aos quais foi concedido um montante global de 3,2 milhões de euros.

No primeiro trimestre de 2006, os contratos celebrados tinham ascendido a 38 568, para um total de 3,5 milhões de crédito concedido. De registar ainda que em Março do ano passado tinha havido um aumento de 7,5% nos contratos celebrados face ao primeiro trimestre de 2005 e uma subida de 13,3% nos montantes concedidos.

Outra realidade que se acentuou no primeiro trimestre de 2007 foi o aumento do valor médio de cada empréstimo: o valor médio trimestral foi de 94,7 mil euros, contra 92,3 mil euros em Março do ano passado. De assinalar que o valor médio de cada contrato atingiu o valor máximo em Janeiro último, de 95,5 mil euros.

Ou seja, os portugueses que recorrem ao crédito para comprar casa endividam-se em valores cada vez mais elevados. Um resultado das inúmeras soluções de crédito actualmente disponibilizadas pela banca, que permitem pagar menos nos primeiros anos de vida do empréstimo e também uma consequência de uma subida dos preços das casas, que apesar da crise económica mantêm-se em níveis elevados. Os dados da Direcção-Geral do Tesouro revelam igualmente que nos Açores a queda no primeiro trimestre foi mais acentuada do que os dados registados no Continente: menos 13,8% nos montantes concedidos e menos 14,1% no número de contratos, até Março.

Na Madeira verificou-se uma subida de 2% no montante atribuído no primeiro trimestre e uma redução de 0,8% nos contratos celebrados.

 

in: Diário de Notícias/economia/9jul07

publicado por AEDA às 09:07 link do post | favorito

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