Multinacionais ignoram incentivos para ficarem



A maioria das acções de reconversão profissional é nas áreas da metalurgia, construção e serviços

carla aguiar

Arquivo DN-Amin Chaar
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Exemplo. A fábrica da Lear é o único caso onde existe um posto móvel do IEFP para apoiar os trabalhadores

Os incentivos oferecidos pelos ministérios do Trabalho e da Economia em complexas negociações para tentar demover multinacionais a despedir pessoal e deslocalizar a sua produção para o estrangeiro não estão, até agora, a resultar. Mesmo se em alguns desses casos as empresas foram beneficiárias de apoios públicos para a sua instalação, como aconteceu com a multinacional de cablagens para automóveis, Yazaki.

"Estamos a oferecer incentivos, como capital de risco e apoios à contratação, para tentar evitar o despedimento de cerca de três mil trabalhadores na Yasaki, mas a empresa continua a dar sinais de que pretende avançar com a deslocalização", disse ao DN o presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Francisco Madelino. Só na unidade de Ovar, a empresa anunciou o despedimento de 500 trabalhadores. Noutras unidades, o processo está em aberto.

Idêntico processo negocial foi ensaiado, sem sucesso, com a multinacional de calçado Lear, na Póvoa do Lanhoso, onde estão em risco cerca de três mil postos de trabalho. A empresa já iniciou o processo de rescisões em Julho e até 30 de Setembro deverão ir para o desemprego mais 230 trabalhadores, num processo que deverá ser definitivamente encerrado em Novembro.

Perante a irredutibilidade das multinacionais em abandonar Portugal, os esforços do Governo centram-se agora no apoio aos desempregados. Um posto móvel do IEFP, que conta com dois técnicos do instituto e um da Segurança Social deslocou-se para as próprias instalações da fábrica da Lear, onde está a prestar apoio aos novos desempregados. Estes são aconselhados, em função do seu caso específico, a optar entre formação para reconversão profissional ou receber o subsídio de desemprego de uma só vez para a criação do seu próprio emprego. A maior parte da formação de reconversão incide sobre a metalurgia, construção civil, serviços e têxteis, disse Francisco Madelino.

A deslocação dos técnicos do IEFP para as regiões mais atingidas pelas falências insere-se na linha da nova política de emprego, anunciada em Maio pelo ministro do Trabalho e Segurança Social. Quando deu posse à nova equipa dirigente do IEFP, Vieira da Silva, disse ser sua intenção tirar, quanto possível, os técnicos do gabinete e colocá-los onde são mais necessários.

O programa Agiire aposta no cruzamento de instrumentos mistos, desde apoios à formação, à contratação e ao capital de risco para intervir atempadamente em situações de crise. Quatro meses depois de anunciada a deslocalização dos técnicos do IEFP, para acudir a situações pontuais, o centro móvel na Póvoa do Lanhoso é ainda o único operacional. Dados recolhidos pela CGTP indicam que desde o início deste ano encerraram 41 empresas. Uma realidade que deverá continuar a aumentar, criando a necessidade de um apoio mais rápido.

Os desempregados esperam, em média, 44 dias para acederem ao subsídio, havendo casos em que o processo se arrasta por vários meses. Vieira da Silva comprometeu-se que a concessão daquela prestação não deverá demorar mais de um mês até final de 2006.
publicado por AEDA às 01:22 link do post | favorito