Energia: dezenas de revendedores em risco de fechar as portas

Energia: dezenas de revendedores em risco de fechar as portas
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Corrida à gasolina espanhola
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Raúl Coelho
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Centenas de algarvios que residem no Sotavento abastecem diariamente em Ayamonte
Os revendedores de combustível localizados na raia estão em “crise profunda” e muitas dezenas correm o risco de fechar as portas devido à quebra do volume de vendas que, em alguns casos como no Algarve, atinge os 70%.

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Em causa está a diferença dos preços praticados em Espanha, que tem provocado uma corrida dos consumidores nacionais aos postos de abastecimento localizados no outro lado da fronteira, onde a gasolina chega a custar menos 24 cêntimos (48 escudos na moeda antiga).

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Apesar da redução de 0,8 cêntimos anunciada ontem pela Galp Energia nos preços das gasolinas e do gasóleo rodoviário, devido à baixa na cotação do crude e dos produtos refinados na primeira quinzena de Setembro, o sector não espera índices de recuperação.
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Um especialista do sector contactado pelo CM salientou que para este cenário contribuiu o facto de o preço do barril ter-se mantido durante seis meses acima dos 50 dólares, o que fez o gasóleo “ultrapassar a barreira do euro/litro”, com forte impacto na economia portuguesa em vários sectores, já que provoca um “processo de inflação em cadeia”.
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“Como a nossa carga fiscal também é diferente da de Espanha e o IVA incide sobre o preço do combustível, mais o ISP, cada vez que sobe preço do petróleo, a repercussão é maior do que no país vizinho”, esclareceu o mesmo especialista, que salienta a responsabilidade da Petrogal neste processo “ao aproveitar-se do período de liberalização em 2004, para fazer subir os preços acima da percentagem da subida do crude”.

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A ilustrar a procura às gasolineiras espanholas, está o exemplo de Ayamonte, em Huelva, onde cerca de meio milhar de automobilistas algarvios abastecem diariamente as viaturas. É que, mesmo avaliando os gastos da viagem, o resultado traduz-se sempre em lucro.
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E não é difícil fazer as contas. A gasolina sem chumbo 95 octanas custa em Portugal 1,28 euros por litro, mais 24 cêntimos do que em Espanha, onde o gasóleo é vendido a menos sete cêntimos e a gasolina 98 octanas e aditivada a menos 20 cêntimos.
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Uma diferença que para os especialistas não faz antever uma crise no sector mas leva muitos revendedores a procurarem alternativas à falência. O presidente da Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis, António Saleiro, que aponta uma média de 50 a 60% de quebras na raia portuguesa, diz que a sobrevivência destes postos só tem sido assegurada por outros serviços como mudanças de pneus e de óleo.
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Em Vila Real de Santo António, já há quem acuse quebras na ordem dos 70% na venda de gasolinas e de 10% a 15% na de gasóleo: “A maior quebra verifica-se desde há cerca de 18 meses mas já antes os consumidores preferiam abastecer em Espanha”, revelou ao CM Rolando Mateus, abastecedor na cidade algarvia.
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MINHOTOS FAZEM FILAS NA FRONTEIRA
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Apesar da descida de preços anunciada pela Galp, os minhotos, em especial aqueles que vivem a alguns quilómetros da fronteira, continuam a invadir as gasolineiras espanholas, que não têm mãos a medir com a enorme quantidade de viaturas que fazem fila para abastecer.

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“Os portugueses vêm cada vez de mais longe e não se importam de esperar”, revelou ao CM Angel Otamendi, administrador do posto da Campsa Express, em Tuy.
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OPINIÃO DOS AUTOMOBILISTAS
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"VENHO UMA VEZ POR MÊS" (Rui Caeiro, 31 anos, Évora)

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“Abasteço uma vez por mês em Espanha. Normalmente gasto 50 euros de gasolina sem chumbo 95, nos postos de Badajoz que ficam próximo. Aproveito sempre que passo junto da fronteira, pois compensa bastante. A gasolina é mais barata e ainda compro outros produtos pois também são mais acessíveis.”

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"ATESTO O DEPÓSITO" (Sandra Teixeira, 34 anos, Faro)

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“Abasteço de gasolina uma vez por mês e atesto sempre o depósito em Espanha. Percorro cerca de 60 quilómetros desde Faro para gastar 50 euros em gasolina sem chumbo 95 e acho que compensa muito. Muito raramente, e só em casos extremos, recorro aos postos portugueses.”

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"PREÇO ALTO EM PORTUGAL" (David Martins, 23 anos, Vila Real)

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“Venho quatro vezes por mês abastecer de gasóleo em Espanha. Gasto sempre cerca de 45 euros. Acho que o preço em Portugal está muito alto e há uma diferença significativa em relação a Espanha. Vale a pena devido à pequena distância.”
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Madalena Bentes / Raul Coelho, com Denise Fernandes

publicado por AEDA às 16:17 link do post | favorito